Marcha das Mulheres Negras em São Paulo: Pelo Fim da Negligência e Violência do Estado! Homenagem do INSPIR às Mulheres Negras! “Mercado de trabalho desperdiça oportunidade por não dar as mesmas possibilidades para trabalhadores negros”, diz especialista Publicação INSPIR: 'A Negociação Coletiva de Cláusulas Relativas à Equidade Racial no Brasil' Racismo Faz Mal à Saude. Denuncie, Ligue 136! Campanha do INSPIR, ISP, CSA e SC-AFL-CIO para ratificação das Convenções A-68 e A-69 da OEA

Muito a comemorar, mais ainda a avançar

Dois mil e doze se encerra e o balanço é de um ano de intensas atividades de denúncia do racismo e da discriminação racial e de uma série de ações para diminuir o verdadeiro abismo econômico e social que ainda existem entre negros e brancos em nosso país. Movimento negro, movimento sindical, setores da Academia, artistas, órgãos governamentais nos três níveis e nas três esferas de poder, além da mídia, pautaram o Dia Nacional da Consciência Negra. O debate, hoje, ocorre amplamente na sociedade e não apenas nas mais de 700 cidades em que conquistamos o feriado de 20 de novembro.

É inquestionável a extraordinária ascensão social de parte significativa da população negra desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula. Pesquisa da Secretaria de Assuntos Estratégicos, da Presidência da República, por exemplo, informa que a soma dos salários dos trabalhadores e trabalhadoras negros saltou de R$ 158,1 bilhões em 2002, último ano do governo neoliberal, para 352,9 bilhões em 2012, representando um incremente de 123,2%. Cinco vezes mais do que o crescimento da massa salarial dos não negros, que cresceu 21,1%, passando de 272,1 bilhões para 329,5 bilhões. Esta é, sem sombra de dúvidas, a principal razão de 80% dos 40 milhões de brasileiros que entraram na classe média no período, ser composta por negros.

A desigualdade no emprego também apresenta significativa diminuição em importantes regiões metropolitanas, como a de São Paulo, onde o desemprego, que era de 23,6% entre os negros e 16,4% para os não negros, no governo FHC, diminuiu no o ano passado, para 12,2% e 9,6%, respectivamente. Sendo que a quantidade de negros com carteira assinada subiu de 38,7% para 52,7%.

Na educação, também a melhora foi significativa, certamente como resultado de programas como o PROUNE, que deu acesso à educação de nível superior à mais de 1.600.000 jovens pobres, evidentemente parte significativa destes, negros. Em 1997, segundo dados do MEC, 1,8% dos jovens negros, entre 18 e 24 anos freqüentavam ou haviam concluído o ensino superior, em 2011 esse percentual chegou a 8,8%.

Esses dados, contudo, não podem mascarar a imensa desigualdade que ainda persiste entre negros e brancos no nosso país. Permanecemos nas funções mais insalubres e perigosas, continuamos ocupando os cargos com pior remuneração e mais precários do mercado de trabalho e este mercado insiste em pagar salários diferenciados de acordo com a cor da pele das pessoas. A maioria das famílias morando em situação precária é de negros. A baixa qualidade da saúde e da educação ainda atinge a população negra, os principais usuários dos serviços públicos. No Brasil todo e em São Paulo, especialmente nos últimos meses, a nossa juventude têm sido vítima de um pavoroso massacre por parte do crime organizado e da polícia.

A mídia aumenta aos poucos a presença de homens e mulheres negros nos seus programas e comerciais, pois perceberam que somos um promissor mercado consumidor. Por outro lado, ainda divulga esteriótipos ofensivos nos seus programas de humor e nos telejornais estamos sempre associados à tragédias e violência e nunca a reportagens positivas.

Caminhamos muito, avançamos muito, nossa luta está sendo vitoriosa. No entanto, precisamos avançar muito mais. Tanto porque merecemos como porque a dívida que a nação brasileira têm com suas filhas e seus filhos negros não será paga em um curto espaço de tempo.

Ramatis Jacino – Presidente do INSPIR

(Com dados da Folha de São Paulo de 18/11/2012 e Folha bancária, 13 e 14/11/2012).

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